André e Angélica Galvão [20 fotos]

no dia

Conte-nos como foram as lutas da Angélica.

A Angélica lutou muito bem, estava confiante. Não podia dar errado.
A primeira luta, ela pegou a Jackeline. Fez 12 pontos. Ela raspou montou, passou a guarda... No final ela ficou um pouco desatenta, talvez por causa da margem muito grande de pontos. A Jackeline quase pegou as costas dela.
Ganhei a terceira luta contra a Jennifer, aluna da Leticia Ribeiro. Raspou duas vezes e montou ganhando 8x4.
Na final a Angélica raspou e ficou tentando passar no lado ruim da menina e acabou ganhando 2x0.

Angélica, você acha que ter um marido campeão mundial ajuda no seu treino?

Eu falo para todo mundo que não é fácil ter a mesma pessoa mandando em mim na hora que eu vou trabalhar e na hora que estou em casa. As vezes a gente tem dia mal de treino e tem que não levar isso para a casa. Vão fazer dez anos que estamos juntos. O André me inspirou muito esse tempo todo. Esse tempo que eu estou com ele, eu aprendi sobre disciplina, sobre persistencia, sobre cabeça, sobre como um atleta tem que ser e agir. Você tem que ser atleta também fora da academia. Eu aprendi sobre dieta, cortar peso. Ele é um ótimo leader, ótimo professor, ótimo businessman, excelente marido.

Você André pode me contar as suas lutas?

Costumo lutar no mundial na categoria até 88kg mas dessa vez, lutei na categoria até 94kg. Eu pesei 5kg abaixo do limite. Você vê o meu tamanho e ou dos meus opponentes, dá para ver a diferença. Mas todo mundo vê você inscrito de pesado e fala: “Caraca, você ta tomando bomba, você está muito grande.” Eu respondo: “Bicho, eu sou o mesmo. Só o meu nome que está lá.”
A minha primeira luta foi contra o Vankler da GFTeam. Consegui uma finalização pelas costas. 
Na quarta, lutei contra o Panza. Consegui dar uma queda, passar nas costas e finalizar.
Na semi, lutei o Rafael Lovato. Consegui raspar e passar a guarda dele.
Na final, lutei com o Felipe Pena. Foi uma luta bem parelha, lá e cá. Nos últimos segundos, eu tava ganhando por uma vantagem mas eu fiquei desatento.
Na verdade eu achei que eu estava atrás. Fui tentar me mexer, fui tentar atacar e acabei caindo por baixo. Ele tava ganhando por dois pontos, faltavam 15 segundos. Estava na minha mão, tudo perfeito, era só segurar. Tomei a decição errada de querer movimentar. 
Fiquei muito tempo no ginásio, coachando, muito tempo sem comer alí.
Nunca perdi um campeonato eu fiquei tão desapontado comigo mesmo quanto nessa mundial. Já perdi várias finais. Foi a primeira vez que eu senti o peso da derrota porque eu sabia que eu poderia ter ganho. Demorou para digerir.
Lutei com os caras mais duros da categoria. Foi a primeira vez que depois de chegar na final, fiquei o dia inteiro no ginásio. Normalmente, quando eu chego na final, eu pego as minhas malas e vou para o meu hotel. Vou dormir, volto só na hora da luta. Aprendi muito com essa derrota.

Eu queria agradecer a Kings, a World Tribe Gear, a Jiu Jiteiro e mandar um abraço para toda a galera no Brasil que curta o meu jiu jitsu. Ainda vou dar muitas vitórias para eles.