Uma entrevista com Saulo Ribeiro

no dia

Saulo Ribeiro, lenda do jiu-jitsu conta nesse video um pouco da sua história e do que o jiu-jitsu precisa.

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Transcrição:

"A Universidade do Jiu Jitsu, ela foi uma idealização minha e do Alexandre quando a gente foi visitar o Kodokan em 96 quando nosso Mestre Royler Gracie foi lutar lá. A gente ficou impressionado como gente do mundo inteiro veio para visitar aquele templo do esporte do Judô.
Então na verdade a gente pegou essa inspiração de uma academia universal que seja de todos, porque a gente viu tantas bandeiras, tantas academias e tantos países ali que a gente falou:  “Nossa! É essa energia de um judô universal que a gente tem de trazer para o Jiu jitsu. Então a gente já veio com aquela ideia na cabeça e a gente sempre teve a nossa equipe que foi a Ribeiro Jiu Jitsu . Como é que a gente ia fazer uma coisa diferente e que fosse tão destaque assim, não em competição, mas um centro de estudo de artes marciais. Então foi quando a gente teve a idéia de montar um polo num lugar que o Jiu Jitsu já esteja bem desenvolvido como era San Diego. A Califórnia sempre foi a nossa intenção. Então a gente falou: Pô, San Diego é o lugar e montamos aqui. Na verdade para a gente isso aqui é um templo, a gente já foi visitado por mais de 50 países, por mais de 300 academias. Então a gente está muito feliz com a recetividade que todo o mundo teve da Universidade do Jiu Jitsu

Eu comecei no Judô com Henrique Machado que é o mesmo professor do Jacaré Souza até meus 15 anos. Aí fui para o Jiu Jitsu e me graduei com o Royler na faixa preta  em 5 anos.

Cara, a gente veio da mesma academia, a Academia Monteiro em Manaus

Vocês começaram juntos?

Começamos juntos. Ele tinha 9 anos. Eu tinha 15. A gente tem seis anos de diferença. Eu comecei garoto, né. Tinha de dar um sorvete para ele, tinha que dar um chocolate porque senão fazia carinha de choro e não queria ir. E lá é selva, né. A gente vem de um lugar que é muito quente e úmido então a temperatura já te bota num outro estado de espírito e ele muito novinho já começou ali na cascagrossinha. E chora o primeiro dia, chora o segundo, depois não chora mais e começa a fazer os outros chorar. Foi uma criança muito boa. Aí um ano depois eu mudei para Rio. Fui fazer a faculdade de Direito lá e foi quando eu tive contato com  o Royler e ele ficou lá. Então ele ficou praticamente dos 10 aos 18 treinando naquela escola que é um celeiro de campeões, a academia Monteiro de Manaus é muito famosa até hoje. Mas aí começou que eu já tinha uma equipezinha na Tijuca; fui um dos fundadores lá com Artur Cartiado e com o Marcelo Machado e começou a acontecer de meus alunos baterem com o Xande nos campeonatos grandes. Aí eu falei: Bichão, você é sangue do meu sangue não tem como ficar batendo de frente com nossos soldados. Vem logo e vamos seguir essa filosofia juntos. Mas na época a gente não tinha intenção de grandes coisas, era mais um contato, uma família próxima a mim. E ele veio aos 18 anos, faixa roxa, peso leve e começamos aí a nossa grande jornada do Jiu jitsu. E o resto é história. Todo o mundo sabe.

 

Você deu aula Gracie Tijuca, né?

Foi onde eu comecei, faixa marrom. A Gracie Humaita não era uma academia de competição, era uma academia de executivos, o Royler não estava competindo nessa época e eu sempre gostei de competição. A competição é a minha vida, é o que me deixa feliz. Eu estava um pouco assustado. Os executivos só iam para dar um treininho e eu queria arrancar a cabeça de todo o mundo. Então falei: Pô, Bicho, a melhor coisa que você faz: vamos ter uma academia aqui na zona norte. Vai lá e queria teus cabeçudos lá. E na verdade foi uma geração de ouro que eu criei; eu nem tinha muita experiência como professor, como sensei . Então foi na base de só os fortes sobrevivem. Horário de duas horas da tarde na Tijuca, telhado de zinco estalando, tatame… Eu não tinha faixa preta para treinar comigo. Por isso que eu não acredito que você precisa ter muitos faixas pretas para ser um grande campeão.

Você precisa ter pessoas que estão dispostas a te ajudar. Que o bem maior delas é te ajudar. Aí você tem o maior sucesso. Às vezes quando há muito faixa preta é muitas vontades para cada lado. Então aí o bem maior fica meio que disperso. Muito interesse particular. E quando você tem muito interesse particular você não atinge a coletividade. Então acho que isso foi o diferencial na minha carreira, porque eu lutei com a Barra Gracie inteira, eu lutei com a Carlson inteiro, sozinho. Antigamente nunca tive um parceiro de categoria, então…

Cara, eu fiquei muito amarradão de ter lutado [Mundial Master IBJJF]. Foi a maior felicidade. Fazia tempo que eu não lutava o mesmo campeonato que o Alexandre. De repente eu entrava no mesmo evento. Fui campeão do sênior peso absoluto, ele foi campeão do master peso e absoluto. Então eu acho que a gente aumentou a credibilidade do evento. Porque antigamente: “Ah master, tá velho”. Mas o problema é que o cara de 30 hoje é o cara de 20 da década de 90. O Jiu Jitsu deu uma vitalidade para a gente incrível. Eu não me sinto hoje, porque antigamente quando eu pensava num cara de 40, eu pensava: “Pô, o cara tá velho”. Mas hoje em dia todo o mundo fala: Não, eu estou em condições de fazer tudo. Primeiro Master Sênior? Pode assinar meu nome. Pode assinar o nome do Alexandre. Vamos lá. Porque a gente luta pelo Jiu Jitsu, independente da instituição que está dirigindo, o nosso objetivo é ajudar o Jiu Jitsu em qualquer setor. Precisa da ajuda da família Ribeiro? Vamos estar lá. E a gente não pede nada na frente, a gente pede é depois. Vamos fazer um trabalho sério? Vamos fazer a coisa acontecer? O problema é que as pessoas estão querendo: E eu? E eu? Mas não é você. É o Jiu Jitsu."